sábado, 20 de dezembro de 2014

A difícil realidade da minha vida: Corpo x Mente(alma)

A dura realidade que enfrento é devido aos problemas que tenho, problemas que não escolhi ter, apenas nasci assim,com essa diferença que me sempre fez e sofrer profundamente. Eu nasci num corpo com anatomia masculina, mas sempre tive a mente completamente feminina, sempre me senti assim, como sou por dentro(uma mulher) e nunca com sou por fora(um homem). Desde criança isso me atormenta, foi bem difícil porque primeiramente não conseguia saber de fato o que me diferenciava das demais crianças, mas com o tempo fui percebendo a minha diferença e me lamentando por não ter nascido igual a todos. A adolescência enfim chegou, e essa foi sem dúvida a pior fase. Foi ai que por várias vezes chorei vendo meus problemas persistirem. Até chegar num ponto em que desejava apenas morrer, isso era na verdade a única saída que eu via pra tudo aquilo que eu passava acabar de vez. Era horrível todas as vezes que chorava e tinha pensamentos suicidas, era constante isso entre os 13, 14, 15 anos. E todo esse sofrimento não poderia ser contado, compartilhado. Primeiramente, porque o que chamamos de pais são de fato seus pais, seus amigos etc, ate certo ponto, ponto esse que é determinado por uma sociedade hétero-normativa cis-sexista onde o meu problema seria equivocadamente chamado de aberração ou algo parecido, e logicamente os pais por conta disso não iriam compreender esse problema, aceita-lo, e ajudar seu filho. Essa seria a razão lógica, mas na minha opinião a razão mais direta seria o amor, que nesse caso não existiria, caso existisse a compreensão do problema e a aceitação do mesmo aconteceria. Quando amamos alguém queremos ver essa pessoa bem consigo mesma, feliz. Meus pais nunca se importariam com essa questão. Irei morrer lembrando certas palavras ditas por eles que me ferirem profundamente, e ainda me dói quando lembro. Uma delas é: "O que eu fiz pra merecer isso meu Deus? Só posso ter jogado pedras na cruz!". Essa é só uma das muitas frases que me fizeram se sentir um lixo. Mas a vida é assim, não escolhemos como nascemos, que tipo de família teremos, mas o mais importante é buscar a sua felicidade, mesmo que esteja sozinha e sem nenhum apoio nessa busca, se persistir, conseguirá. Tentei interpretar outra pessoa por anos porque não tinha outra escolha. Mas hoje o que importa pra mim é a minha autenticidade. Sai muito caro ser autentica, e nessas coisas não se deve ser avarenta. Porque nós ficamos mais autenticas quanto mais nós nos parecemos... com o que sonhamos que somos.